Seria de esperar que perante esta perspectiva desanimadora na segurança social, os líderes políticos tentassem adiar o mais possível o desfecho, começando a cortar nos benefícios. Mas não foi o que aconteceu até 2011. O que parece ter acontecido nos 10 anos anteriores a 2011 é o exacto oposto. Consciente ou inconscientemente, parace estar a passar-se a típica situação de tentar saquear o mais possível antes que a falência se torne inevitável, acelerando-a. Atente-se no gráfico abaixo:
Evolução do número de reformados por escalão de reforma (2001=100)
Neste gráfico encontram a evolução indexada do número de pensionistas de acordo com o montante da reforma. As linhas azuis representam os escalões de rendimento mais altos. Como se vê pelo gráfico, em 2011 havia 5 vezes mais reformados a ganhar acima de 4000 euros do que em 2001, também 5 vezes mais reformados a ganhar mais de 3000 euros e 7 vezes mais a ganhar entre 2000 e 3000 mil euros
Poder-se-ia argumentar que este é apenas o efeito normal de actualização de reformas por via da inflação. No entanto, se olharmos para os números, o IPC aumentou 26% entre 2001 e 2011, o que, aproximadamente quereria dizer que o número de reformados a receber mais de 2500 euros em 2011 deveria ser o mesmo que o número de reformados a receber mais de 2000 euros em 2001. Não é o que acontece: em 2001 havia 36 mil pessoas a receber mais de 2000 euros, mas em 2011 existiam 64 mil a receber mais de 2500 euros.
O impacto da alteração da distribuição do valor das reformas pode ter ascendido a algo como 7 mil milhões de euros em 2011. Se a distribuição do valor das reformas fosse a mesmo em 2011 que em 2001, o estado teria poupado 3,5 mil milhões de euros apenas nos escalões mais altos (acima de 2000 euros), ou seja, 7 vezes mais o que irá captar em 2013 com a taxa adicional de IRS. Apesar de serem apenas 7% dos reformados, estas reformas douradas representam 28% do montante total pago em reformas. Resta saber quantos destes realmente descontaram o suficiente para justificar receber este montante e quanto recebem estas reformas apenas por cumprirem alguns anos em organismos públicos ou cargos políticos. Infeliz e convenientemente, esses dados não estão disponíveis.