Todos escravos

escravos
Serão poucos aqueles que, da esquerda à direita, não reconhecem que a existência de concorrência no mercado incentiva a eficiência e beneficia a liberdade de escolha dos consumidores. Alguns estados têm inclusivamente políticas intervencionistas de incentivo à concorrência empresarial. Mas como em tempos disse Pedro Arroja, toda a gente defende a concorrência em todos os sectores excepto um: o seu. Os estatistitas não são diferentes e, por isso, lhes agrada a ideia de harmonização fiscal.

Tal como no mercado, a existência de concorrência fiscal entre estados é o garante da eficiência e protecção contra abusos de poder. É um tipo de concorrência ainda mais importante do que no mercado, porque, ao contrário da empresas, o estado tem o poder único de utilizar a violência para impôr as suas escolhas. A crescente mobilidade de pessoas e negócios, aliado à desmaterialização dos negócios trazida pela internet, permitiu cada vez mais esta liberdade de escolha e fomentou a concorrência entre estados. Tal permitiu que estados mais eficientes (como Suiça e Singapura) tenham prosperado, enquanto que estados pesados e ineficientes se atrasaram. A liberdade de escolha e a possibilidade de opt-out territorial são motores de crescimento e de eficiência, impondo disciplina ao poder soberano. Mas tal como no mercado, os estados mais ineficientes, mais tirânicos, ficam a perder com a existência de competição.

Impedir o opt-out tem sido sempre o último passo das tiranias, sendo a Alemanha de Leste e a
Coreia do Norte bons exemplos disto. Quando o falhanço dos seus modelos se começa a reflectir num fluxo de fuga em massa, resolvem construir os seus muros para impedir essa fuga. A recente discussão em torno da harmonização fiscal na Europa e eliminação dos paraísos fiscais é uma forma mais subtil deste processo: não se impede a fuga para o “outro lado” erguendo uma barreira física, mas simplesmente elimina-se o “outro lado”. O resultado final é o mesmo: extermina-se a liberdade de escolha. Retirada a liberdade de escolha, seremos, a prazo, como os alemães de Leste e os Norte-Coreanos bem sabem, todos escravos.

8 comentários a “Todos escravos

  1. O mais assustador é a aceleração da quantidade de Estatistas, uns por convicção (poucos), mas a grande maioria por interesse e medo.
    Há cada vez mais reformados/pensionistas, mantém-se os mesmos instalados á mesa do orçamento de estado (públicos e privados), os próprios desempregados passam a receber subsidio do estatal. O grupo é cada vez maior. Quem vai pagar esta “fauna” toda? Os escravos que sobram, fora deste grupo?
    E se os escravos não chegarem? Comem-se uns aos outros?

  2. Pingback: O socialismo tal como ele é (2) « O Insurgente

  3. A esquerda está a bater de frente no muro. Os estragos são imensos.

    Pensavam que as pessoas iam ficar bovinamente à espera de ser roubadas. De 50% para 75% de imposto? Um aumento de 50% no montante pago e queriam que não estrebuchassem?
    Dá medo de pensar o que o Seguro fará quando chegar ao poder. Ele que gosta tanto do pateta do Hollande.

  4. Pingback: A ler « BLASFÉMIAS

  5. Ja houve um cretino qualquer que disse que a prazo estamos todos mortos. Não me lembro do nome do gajo, só sei que foi mais um que ajudou a cavar a sepultura da civilização e tem muitos discipulos e adeptos que o adoram. Assim vai o mundo, como se dizia dantes…

  6. E a alternativa à besta do Estado é……O santo Mercado. Já nem o pai do neoliberalismo acredita nisso desde que capitalismo financeiro deixou de servir a economia para se servir. Mas em Portugal as hostes berram. Viva a liberdade!

  7. E se concorrermos com estados que têm como normal o trabalho escravo ou quase? Deveremos tornarmo-nos escravos em troca da eficiência do mercado?
    É mais barato produzir na industria pesada poluindo, logo devemos defender que as grandes empresas industriais possam vir largar qualquer veneno à nossa parta para continuarmos competitivos?
    Por essa lógica todos os estados deveriam ter o nível de impostos dos paraísos fiscais. Se os mafiosos têm um bom negócio (mesmo legal) isso por si só não o torna um negócio honesto. Se não existissem tantos a fugir aos impostos talvez eles não necessitasse de ser tão altos.

  8. Há aqui um salto quântico que eu não sei se percebi. Então a harmonização fiscal *impede* ou *proíbe* que as pessoas e empresas se movam? Do estilo quando se tenta passar a fronteira aparecem 50 “harmónios fiscais” com tax brackets pontiagudas, capazes de aleijar? «Não passas! Não passas!»

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