Resumo político do ano

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O Primeiro-ministro e o seu tecnocrata ministro das finanças, a pedido do FMI, lançaram sobre o país um conjunto de medidas de austeridade quase sempre acompanhadas de declarações que são um bom resumo da crise.
O primeiro-ministro foi rápido a identificar a solução afirmando que “Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. A troco do necessário empréstimo, o governo cortou os salários da função pública, subiu impostos, congelou as contratações e o investimento público. Perante as críticas, ele defendendeu a austeridade como “dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores”.
A perda de poder de compra dos trabalhadores sem precedentes gerou uma onda de protestos e greves organizadas pela CGTP. O primeiro-ministro acusou então a CGTP de concentrar-se “em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”. Quando começaram a faltar aliados internos, o primeiro-ministro foi rápido em relembrar os aliados externos afirmando que “Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo”.
Depois de um período de violento ajustamento de 2 anos, a crise passou. Os 5 anos seguintes foram o período de maior crescimento económico de Portugal em democracia. Os leitores mais atentos estarão agora a questionar-se do porquê da utilização do pretérito perfeito neste último parágrafo. O motivo é simples: o ano de que trata o artigo não é 2012, mas 1983, e o primeiro-ministro citado não é Passos Coelho, mas Mário Soares.

2 comentários a “Resumo político do ano

  1. Viva Carlos.

    Se o intuito do post é visar as baboseiras da múmia Soaresca, subscrevo. Mas se o novo Ano te trouxe optimismo, devo dizer-te que é diáfano, pois em 2015, ao contrário do que sucedeu em 1985, não começarão a chover prebendas monetárias da Europa… nem a demografia será a mesma de então.

    Quero crer que estavas apenas a aludir ao ainda Catilinário patrocínio de que goza Soares.

    Abraço.

    • Olá Fernando,
      Bom ano!
      O intuito do post é mesmo de dizer que por muitas passagens de ano que aconteçam, nada muito em Portugal. Até um dia… que até pode, ou não, estar próximo. A sua proximidade dependendo, claro, das tais prendas virem da Europa, ou não.

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