É o capital estúpido!

restaurante

Pastry shops and taverns are found in such abundance it makes you wonder whether the Portuguese eat at home at all. (Globe spots)

A ideia de que os empresários portugueses são mal formados e procuram explorar o trabalhador é oriunda do facto de as empresas que predominam num país descapitalizado serem precisamente empresas pequenas de trabalho-intensivo. A ausência de capital não permite que as empresas cresçam ou que invistam em técnicas sofisticadas que exijam qualificações para serem manipulados. Empresas pequenas, de trabalho intensivo, não precisam de empresários muito qualificados e, sim, tenderão a sobreviver aquelas que mais conseguirem arrancar do trabalhador, porque não haverá mais nenhum factor para alavancar. O típico empreendedor português abre um restaurante, um café ou uma pequena loja, daí existirem tantos. Este pequeno capital, o único puramente privado que vai sobrevivendo a anos de políticas anti-capitalistas, raramente será inovador ou sofisticado ao ponto de exigir trabalhadores qualificados: é o capital estúpido.

19 comentários a “É o capital estúpido!

  1. O típico empreendedor português abre um restaurante

    Uma vez falei com o dono de um restaurante de beira da estrada e perguntei-lhe diretamente por que motivo assim era, por que motivo ele (um antigo emigrante em França) tinha investido as suas poupanças a instalar um restaurante.
    Ele respondeu-me que um restaurante é um negócio confortável, sempre à vista, em que está sempre dinheiro a entrar e a sair, pelo que se pode controlar bem e ver-se sempre como as coisas estão a correr. A vantagem de um restaurante, explicou-me ele, é que se começa desde o primeiro dia a ver o resultado do investimento, em vez de se ter o capital empatado durante um ano ou mais até se conseguir angariar clientes, etc.
    Ou seja, não era extamente uma questão de falta de capital, era mais uma questão de cash flow.

  2. Carlos,

    “Este pequeno capital, o único puramente privado que vai sobrevivendo a anos de políticas anti-capitalistas, raramente será inovador ou sofisticado ao ponto de exigir trabalhadores qualificados: é o capital estúpido.”

    É isto que não faz sentido dizer. Os trabalhadores qualificados são mais procurados do que os trabalhadores não qualificados. O prémio salarial para os mais qualificados é dos maiores na OCDE. Não há nenhum ‘défice de capital para as qualificações que temos’, como sugeres no texto. Quanto muito, será o contrário: se o prémio salarial continua a ser mais alto do que na OCDE, há um défice de capital humano para o capital físico que temos*.

    E o que não faltou na última década foi o aumento de capital que tu pedes: tivemos uma formação de capital acima da média da UE, financiada por crédito externo. O problema não foi de acumulação de capital, que aumentou à taxa mais alta de sempre (ao mesmo tempo que a produtividade respectiva diminuía), mas de má afectação desse capital. E é quando tentamos perceber o porquê desta má afectação que começam a surgir as respostas complicadas (que dificilmente serão ‘políticas anti-capitalistas’, a não ser que as políticas dos últimos 10 anos tenham sido substancialmente mais anti-capitalistas do que as das duas décadas anteriores).

    *e o argumento de que o capital humano está a sair do país não colhe, porque o capital físico também está a reduzir-se. Além disso, são ambos uma tendência recente, relacionada com um problema conjuntural.

    • O capital físico está a sair?! Claro que está, é exactamente esse o tema dos posts. Está a sair e em massa. Mas não é por falta de capital intelectual. É porque tudo resto é mau. Desculpa, mas acho que esta discussão não faz sentido. Não me consegues apontar uma empresa que tenha saído de Portugal por falta de mão-de-obra qualificada mas eu posso apontar-te uns milhares de qualificados que sairam por falta de empresas.

      Houve formação de capital há uns anos? Houve sim, por parte do estado, em auto-estradas, estádios, renováveis, etc. E essa é precisamente a razão para ele não existir hoje. Porque não basta haver injecções de capital, ele tem que ser investido em áreas rentáveis.

    • O prémio salarial para os mais qualificados é dos maiores na OCDE.

      Mas não será isto essencialmente por efeito das políticas da função pública, cujo salário é função das qualificações académicas do trabalhador?
      Eu gostaria de saber se a frase acima citada ainda vale se apenas se considerar o setor privado, ou melhor ainda, o setor transacionável da economia.

  3. Carlos, o argumento de que “tudo é mau” não colhe, porque as coisas não ficaram “todas más” desde há quatro anos para cá, que foi quando o capital começou a sair. Uma explicação mais simples e parcimoniosa é: o capital está a sair porque há um problema de procura. Esta hipótese explica também o facto de o capital humano estar igualmente a sair, bem como o facto de o mesmo capital estar a abandonar países onde dificilmente se pode considerar que “tudo é mau”, como Irlanda ou Reino Unido. Repara que eu não discuto que em Portugal as coisas sejam mesmo muito más, e provavelmente até farei aí, quanto mais não seja por questões de proximidade, uma avaliação pior do que a tua (trust me!). Mas o “tudo é mau” ofusca, mais do que esclarece, o que está a acontecer neste momento.

    E a formação de capital da última década está longe de ter sido apenas pública. A taxa de investimento privada em Portugal foi sempre superior à da Zona Euro, o que correspondeu a um crescimento médio quase sempre mais baixo. Em suma, nunca houve falta de capital financeiro para investir, nem este capital financeiro deixou de se traduzir em acumulação de capital físico. O problema é diferente.

    • Priscila, é um problema de procura que faz com que multinacionais não se instalem no país? É um problema de procura que faz com que deslocalizem a produção para outros países?

      O problema da contabilização dos investimentos de capital é que é feito a preços de custo. A construção de um estádio ou auto-estrada que ninguém usa é contabilizada da mesma forma que uma fábrica de tablets. A diferença? O estádio vale efectivamente zero a preços de mercado e acrescenta nada ao stock de capital físico.

      Para os keynesianos, é sempre tudo um problema de procura. Tudo na economia se redz a procura que o estado pode magicamente manipular não importa como. E como é tudo um problema de procura, vai-se continuando a distorcer a alocação de recursos e o sistema de incentivos.

      Enfim, enquanto todos os problemas se reduzirem à procura, estas discussões fazem pouco sentido.

    • a formação de capital da última década está longe de ter sido apenas pública. A taxa de investimento privada em Portugal foi sempre superior à da Zona Euro, o que correspondeu a um crescimento médio quase sempre mais baixo.

      Esse investimento privado inclui o investimento em prédios de habitação e quejandos, ou apenas o investimento em fábricas e outras infraestruturas produtivas?
      É que há investimento que se destina à produção e investimento que se destina ao consumo.

  4. Calma. Eu só estou a separar os assuntos.

    Parece-me óbvio que há um problema de procura nos últimos quatro anos. A alternativa a isto é assumir que tudo começou subitamente a “correr mal” na Irlanda, em Portugal, nos EUA, no Japão e por aí fora de há quatro anos para cá. Ou isso ou presumir alguma forma de choque tecnológico à la RBC, para o qual não há evidência nenhuma (e que nem os partidários do RBC defendem). Nenhuma das hipóteses é muito realista. Este problema de procura explica a destruição de capital em Portugal dos últimos quatro anos, bem como o abandono do capital humano, tal como explica que o mesmo esteja a acontecer na Irlanda. E é óbvio que nem todos os problemas económicos são problemas de procura – a maior parte, claramente, não é. Mas neste caso concreto parece difícil argumentar o contrário.

    Portanto, o que há a explicar é o comportamento das variáveis económicas antes de 2008. E aí acho que não há muito a argumentar: acumulação de capital (público + privado) e rentabilidade decrescente. Parece-me um bocado anacrónico dizer que o problema de Portugal foi falta de acumulação de capital depois de uma década em que o capital (privado) aumentou a uma taxa recorde (e aqui já não falamos de estádios). Por outro lado, também fico a pensar que tipo de informação empírica te levaria a mudar de opinião. É que se estes dados não chegam, não estou a ver o que chegaria.

    (Ah, lembrar que houve empresas a deslocalizarem-e é pouco relevante por duas razões. Primeiro, porque o capital financeiro, como já vimos, não se traduz ‘per se’ em capital físico. Ele teria de se traduzir em mais capital físico para ter efeito, o que deixaria Portugal com uma taxa de investimento ainda mais afastada da média. Enfim, quanto muito poder-se-ia dizer algo como “se tivesse havido mais IDE a taxa de investimento não teria sido a mais alta dos últimos 30 anos, mas a mais alta de todo o mundo”. Mas não me parece grande argumento. Em segundo lugar, porque há de novo uma explicação mais simples para as deslocalizações, sobretudo tendo em conta a maior parte dos destinos: chama-se vantagem comparativa).

    • Priscila,:

      “Parece-me um bocado anacrónico dizer que o problema de Portugal foi falta de acumulação de capital depois de uma década em que o capital (privado) aumentou a uma taxa recorde”
      Em primeiro lugar, gostaria de saber qual a fonte dos teus dados. O PORDATA contradiz essa afirmação (http://dev03.pordata.pt/Portugal/Investimento+Formacao+Bruta+de+Capital+Fixo+em+percentagem+do+PIB-812). De qualquer forma estamos aqui a falar de escassez relativa. De acordo com o PORDATA, entre 2000 e 2010 o número de pessoas com o ensino superior aumentou 83%. O stock de capital por trabalhador aumentou 27%. Um pequeno desequilíbrio, eu diria.

      “A alternativa a isto é assumir que tudo começou subitamente a “correr mal” na Irlanda, em Portugal, nos EUA, no Japão e por aí fora de há quatro anos para cá”
      A história de a crise ser global também não cola: os diplomados saem de Portugal também para o resto da Europa, incluindo a Irlanda e o Reino-Unido. Já o contrário não acontece: quando foi a última vez que viste um Inglês ou Irlandês a vir para Portugal à procura de emprego?. Portugal tem um problema crónico de escassez de capital em relação aos parceiros europeus que agora se tornou mais evidente porque começamos a aproximar-nos em termos de capital humano. À medida que o capital humano crescer, mais óbvia será a ausência de capital físico para o empregar.
      Mais uma vez, se insistes que não há escassez relativa de capital, dá-me um exemplo de uma empresa que não tenha investido ou tenha deslocalizado de Portugal por não ter mão-de-obra qualificada. Basta um.

      “Em segundo lugar, porque há de novo uma explicação mais simples para as deslocalizações, sobretudo tendo em conta a maior parte dos destinos: chama-se vantagem comparativa”

      Exactamente. O capital tem vantagem em deslocalizar-se e leva consigo os empregos qualificados. É mesmo esse o ponto do post.

  5. Pingback: Uma longa travessia | A Montanha de Sísifo

  6. Carlos,

    “Em primeiro lugar, gostaria de saber qual a fonte dos teus dados. O PORDATA contradiz essa afirmação (…) De acordo com o PORDATA, entre 2000 e 2010 o número de pessoas com o ensino superior aumentou 83%. O stock de capital por trabalhador aumentou 27%. Um pequeno desequilíbrio, eu diria”

    A fonte é a AMECO – mas o indicador não é o mesmo. Eu usei o investimento privado face à média europeia, o que explica a discrepância de valores. Mas a comparação que fazes não é a correcta, porque estás a comparar o stock de capital físico por trabalhador com o stock de capital humano. A comparação correcta seria a) o stock de capital com o stock de diplomados; ou b) o stock de capital/trabalhador com o número de diplomados/população empregada. Verás que o pequeno desequilíbrio ganha logo uma cara diferente. (E ainda mais diferente fica se controlares para os diferentes pontos de partida)

    “A história de a crise ser global também não cola: os diplomados saem de Portugal também para o resto da Europa, incluindo a Irlanda e o Reino-Unido.”

    Carlos, a Irlanda está a passar por emigração em massa. É um bocado difícil difícil argumentar que o problema da emigração de diplomados é um problema de capital quando um dos países europeus com mais capital per capita está a passar por um processo semelhante. E já nem refiro o problema de saber se há de facto mais emigração de diplomados do que de não diplomados (estes dados não existem; tudo o que temos é “evidência” antedótica da comunicação social, tal como acontecia com a suposta “Geração à rasca”).

    “Mais uma vez, se insistes que não há escassez relativa de capital, dá-me um exemplo de uma empresa que não tenha investido ou tenha deslocalizado de Portugal por não ter mão-de-obra qualificada. Basta um.”

    Bom, isso não faz muito sentido. Se não há mão-de-obra qualificada, as empresas pura e simplesmente não investem ou não se deslocam para cá. Seria estranho ver uma empresa a vir para Portugal e depois deslocalizar-se com o argumento de que não sabia que os nossos índices de formação universitária são dos mais baixos da Europa. O mais próximo que se pode encontrar é o caso de uma empresa que se desloca para países onde a escolaridade média é superior. E desses há aos potes.

    “Exactamente. O capital tem vantagem em deslocalizar-se e leva consigo os empregos qualificados. É mesmo esse o ponto do post.”

    Nope. O capital não se está a deslocalizar para a Alemanha ou para a Suécia. Está a deslocalizar-se para a China e para o Leste europeu.

    Entretanto, já vi o(s) teu(s) posts seguintes, mas como não me parece que acrescentem muito em relação ao que já foi dito aqui, prossigo a conversa neste caixa. Para evitar o ruído e repetição de argumentos que normalmente costumam vir ao de cima quando o debate se prolonga, deixa-me sintetizar a discussão e clarificar os pontos em que estamos em desacordo. Há dois:

    1) Eu concordo com a afirmação trivial de que mais investimento conduz a maior produtividade. Mas na última década Portugal investiu mais do que a generalidade dos países europeus e a sua produtividade não aumentou, e isto apesar de partir numa posição de desvantagem. Isto sugere que não há um problema de investimento, mas de eficiência do investimento. Em suma, e por muito que ceteris paribus o aumento do investimento seja sempre bom, a repetição ad nauseam do “poupança, poupança, investimento, investimento” é pouco relevante. É mais importante perceber as causas que estiveram por detrás desta eficiência marginal do capital tão baixa. Que é uma questão diferente.

    2) Não há absolutamente base nenhuma para argumentar que há uma escassez relativa de capital físico face ao capital humano (ou seja, que há licenciados demais para o capital físico que temos). Em primeiro lugar, porque a única “evidência” que se ouve por aí ou é factualmente errada (a ideia de que os licenciados não são valorizados – pelo contrário, Portugal é dos países que mais valorizam os licenciados) ou provém de causalidade espúria (a ‘fuga’ de licenciados no ano em que Portugal passa pela maior crise económica de 30 ou 40 anos). Pelo contrário, os melhores estudos que andam por aí põem a rentabilidade de um curso superior na casa dos 15% (estimativa conservadora).

    Ou seja, e concluindo, apesar de o capital físico ser uma coisa boa, o problema de Portugal na última década (ausência de ‘catching up’ que se verificava até aí) não foi claramente causado por falta de investimento, e não faz muito sentido continuar a pedir FBCF sem se saber exactamente o que esteve na origem do problema. Por outro lado, a taxa de rentabilidade em capital humano é tão elevada que faz sentido continuar a ser uma prioridade.

  7. Sorry, fim-de-semana, no blogging.

    Sim, eu vi. Mas a conta correcta não é o stock de capital por diplomado: é o stock de capital por trabalhador, porque não são apenas os diplomados que trabalham com capital (na verdade, possivelmente até há mais trabalhadores indiferenciados da indústria a trabalhar com capital do que trabalhadores especializados. Qual é o ‘capital’ das sociedades de advogados, dos psicólogos, dos médicos de família?). Depois, seria necessário controlar para os diferentes pontos de partida (quantidade de capital físico vs. quantidade de capital humano). E seria preciso fazer uma série de outras contas que tornam a comparação capital físico/capital humano um instrumento rudimentar para aferir as produtividades marginais de cada.

    Anyway: o ponto decisivo, aqui, é que toda a tua argumentação se apoia numa ideia errada, sistematizada na frase “Da próxima vez que alguém se queixar que o filho não encontrou emprego à saída da universidade, falem-lhes destes números”. Esta ideia está errada, de acordo com todas as comparações internacionais que temos: a rentabilidade de tirar um curso em Portugal é muito mais alta do que lá fora. A tua posição é um pouco como dizer a um empresário que não adianta comprar mais baldes sem aumentar o número de pás quando ele verifica empiricamente que cada balde adicional lhe dá uma rentabilidade brutal.

  8. “Esta ideia está errada, de acordo com todas as comparações internacionais que temos: a rentabilidade de tirar um curso em Portugal é muito mais alta do que lá fora.”

    A rentabilidade de tirar um curso é sempre calculada como a diferença de salários em relação a não tirar um curso. O que estamos aqui a falar é de escassez relativa em relação ao capital. Afirmar isso é como dizer que, como uma pá é sempre muito melhor do que uma colher, precisamos de mais pás e menos baldes.
    O que precisamos de comparar neste caso é a rentabilidade de tirar um curso em Portugal em relação a outros países: quanto ganha um licenciado em Portugal e na Alemanha? O que explica essa diferença? Porque é que um engenheiro civil ganha mais em Angola do que em Portugal? Porque é que um engenheiro informática ganha mais na Irlanda do que em Portugal?
    Mas sim, trabalhadores indiferenciados também ganham bem menos em Portugal do que diplomados e pelo mesmo motivo: não há capital que aumente a sua produtividade.

  9. Carlos, essa lógica é um pouco retorcida. Pelo teu argumento de que os licenciados portugueses ganham menos do que os licenciados alemães (porque “não há capital que aumenta a sua produtividade”), nunca teria feito sentido investir em capital humano. Estávamos desde os anos 60 a repetir a lenga-lenga da poupança-investimento.

    As decisões de alocação de recursos são tomadas com base no benefício marginal de cada investimento. Se investir num curso tem um retorno de 15% e investir em capital físico tem um retorno bem menor (quase negativo, a julgar pela experiência da última década), faz sentido dar prioridade ao primeiro. O que não faz sentido é defender o contrário argumentando que aumentar o capital físico aumenta os salários para cada nível de capital humano, porque o inverso também é verdade: mantendo o stock físico constante, aumentar a escolaridade também aumenta os salários. A diferença é que no segundo caso o retorno é de 15%.

    Mas, já agora, queria saber: que dados te levariam a concluir que estás errado? Já vimos que uma taxa de rentabilidade do capital humano muito superior à média não chega. Já vimos que uma taxa de investimento em capital físico superior à média, conjugada com baixo crescimento da produtividade, também não chega. Já vimos que um rácio capital humano/capital físico inferior à média não chega. Parece-me que a tua teoria está bastante imunizada a qualquer possibilidade de refutação.

    • Priscila, antes de mais conviria que os dados se referissem ao problema em questão. Dados que provariam que eu estou errado:

      1. Se Portugal fosse importador líquido de capital humano
      2. Se os salários brutos de diplomados a PPC fossem superiores à média europeia
      3. Se as empresas portuguesas estivessem a investir fora do país por falta de talento local

      Dados que não provam nada:
      – O retorno de capital físico é baixo. É precisamente isso que digo nos posts. A questão é que o retorno não é baixo por falta de capital humano para o alavancar.
      – O retorno individual de um curso superior é alto. O retorno para o indivíduo de um curso superior pode ser alto (embora a história fosse diferente se os cursos superiores não fossem subsidiados), porque a ausência de capital também afecta a produtividade de trabalhadores indiferenciados. Mesmo assim é mais baixo, em termos absolutos a PPC, do que no resto da Europa. Só para fazer um paralelo, eu acredito que a rentabilidade relativa de um curso superior na Índia é bastante alto, mas mesmo assim os Indianos continuam a preferir trabalhar fora. Porque será?
      – Portugal teve um forte investimento em capital. Este dado não diz nada por tr~es ordens de motivos. Primeiro, não é verdadeiro. Desde 2004 a FBCF anda em mínimos de sempre. Comparar com o resto da Europa também faz pouco sentido, porque a maior parte da Europa se está descapitalizar e, além disso, t~em um ponto de partida superior). Terceiro, as estatísticas de investimento tendem a ser feitas a preço de custo. Mas investir 100 milhões numa fábrica de tablets é diferente do que investir 100 milhões numa pedra de cimento. Infelizmente alguns investimentos em Portugal, por serem pagos ou incentivados pelo estado não passam muito disso (as PPP rodoviárias, os parques eólicos ou os estádios). Uma verdadeira estatística medindo os investimentos ao preço de mercado, provavelmente mostraria números ainda mais aterradores.
      Mas mais uma vez te deixo a questão, que ainda não respondeste: porque é que os licenciados portugueses ganham mais na Alemanha ou em Angola (PPC) do que em Portugal? E, já agora, o que é que distingue a Índia (exportador líquido de capital humano) de Angola (importador), dado que até têm PIBpc relativamente semelhantes?

      Uma nota final, para deixar claro que eu não acho que existem licenciados a mais, acho é que existe capital produtivo a menos.

    • Parece que não🙂 Mas só para esclarecer algo que acho que não ficou claro na minha posição: eu só acho que os diplomados estão em abundância relativa em relação ao capital. Não tenho a certeza que estejam em relação aos trabalhadores indiferenciados. Parece-me bem provável que seja o oposto, pelo menos em certas áreas académicas.

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