O Monstro ganha um novo fôlego

Lisboa - Conferência Vitor Gaspar
Serão colocados dois mil milhões de euros em dívida a 5 anos. É o anunciado regresso de Portugal aos mercados, embora estes mercados não sejam a massa acéfala de investidores crentes na solvência do país, mas uma mão cheia de bancos nacionais previamente resgatados e mais uns bancos europeus que têm a garantia de poder despejar as obrigações no BCE. A tão desejada monetarização da dívida portuguesa está a acontecer. Mesmo sendo um regresso aos mercados político e não económico, que certamente só acontece pela benção explícita do BCE e do Conselho Europeu, ele só acontece porque existiu um esforço de consolidação orçamental. Este governo está a ter um efectivo sucesso em salvar financeiramente o estado. Não é por acaso que a Grécia continua sem regressar aos mercados: a benção política carece do cumprimento de certas metas que Portugal cumpriu (pelo menos as metas revistas). Por muito que o PS se contorça, esta é uma vitória de Vítor Gaspar.

O monstro foi salvo e tem mais uns meses de vida. Mas há muito pouco a celebrar para aqueles que não vivem à sua sombra. Olhando para as contas, vislumbram-se poucos motivos para confiança no futuro: o monstro continua tão grande como antes, os impostos estão aos níveis mais altos de sempre e não existiu qualquer restruturação do estado. Dos 13 mil milhões em despesa cortados entre 2010 e 2012, metade foi em despesa discricionária (investimento público), e a outra metade foi feita com a promessa antecipada de ser invertida (o corte dos subsídios à função pública e pensionistas). Excluindo estes dois elementos fácil e prometidamente reversíveis, a despesa pública foi em 2012 a mesma que em 2010.

A cedência do Banco Central Europeu à monetização parcial da dívida é um motivo de festejo para os estatistas, porque retirará força à necessidade de reforma do estado. Todos os grupos parasitários que se sentam à mesa do orçamento, têm agora uma bolha de oxigénio e argumentos reforçados para rejeitar qualquer reforma. O estado ladrão sobrevive mais uns meses e ganha credibilidade, mas o estado não somos “nós”. Não há motivo nenhum para “nós” estarmos satisfeitos. “Nós” continuamos a pagar impostos altos, continuamos forçados a contribuir para um sistema de segurança social insustentável, continuamos a ter um país centralista e burocrático e um estado intervencionista. “Nós” continuamos a querer sair do país. Há um grupo de parasitas que irá sobreviver mais uns meses e conseguirá endividar-nos um pouco mais. Eles têm motivos para celebrar, “nós” não.

6 comentários a “O Monstro ganha um novo fôlego

  1. esta é uma vitória de Vítor Gaspar

    O Carlos considera uma vitória, que Portugal possa pedir emprestado a uma taxa de juro de 5%? Eu não considero isso vitória nenhuma. Considera isso uma derrota!
    E, mesmo que fôra uma vitória. não seria de Vítor Gaspar, mas sim de Mario Draghi: a Irlanda, a Espanha, a Itália conseguem também pedir emprestado.

  2. a roménia infelizmente não consegue pô-lo a 5%
    os húngaros também não

    já os polacos já conseguem os 3,5% deve ser do carvão da silésia e das batatas

  3. e chamar grupo de parasitas a dezenas de milhares de empresas que vivem do estado ou são do próprio estado e poder local
    é feio…cortar nos tribunais e no exército não dá senão nem orçamento há…
    e se calhar não vai haver mesmo

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