Adolfo

Soube-se ontem que o deputado Adolfo Mesquita Nunes irá deixar de o ser para se tornar Secretário de Estado do Turismo. Uma espécie de promoção no seio governamental, mas que provavelmente o afastará da intervenção política pública em todos os assuntos que não digam respeito às suas novas funções.

Tornei bem públicas tanto a minha satisfação com a sua eleição, como as minhas críticas à sua actuação. Critiquei-lhe a falta de coragem política, que culminou naquele momento humilhante para todos os liberais, em que ele se levantou para aprovar o Orçamento de Estado de 2013. À falta de coragem política, o Adolfo contrapôs com uma grande coragem retórica, tendo feito discursos naquela casa que mais ninguém teve a bravura de fazer. Foi protagonista de uma retórica de liberdade inigualável naquela casa. Apesar de discreto, foi-se sabendo que terá sido também um dos elementos da oposição silenciosa dentro da coligação.

Mas até a oposição pela liberdade mais silenciosa é demasiado ruidosa num país que sofre de estatismo crónico. Felizmente, Portugal não é a União Soviética, e o Adolfo não foi relocado para a Sibéria e andará por aí. Lamentavelmente, deixaremos de o poder ouvir na Assembleia da República e será menos uma voz pela liberdade em assuntos que não digam respeito ao turismo. Para memória futura, fica aqui o melhor discurso que me lembro de ver na Assembleia da República. Infelizmente, temo que não venha a haver ninguém nos próximos tempos capaz de fazer outro igual.

5 comentários a “Adolfo

  1. Não foi apenas este discurso, ainda que este tenha sido verdadeiramente inspirado e inspirador.
    O problema é que retórica desprovida de carácter não chega. Pelo contrário: é perniciosa porque vazia.

    Além de que duvido que AMN tenha sido “tachado” (ao contrário das pessoas, pois essam foram simplesmente mais taxadas…) para ser calado.
    Alvitro que a relação causa-efeito terá sido a oposta: AMN calou-se… e teve a sua recompensa,
    Assim funciona o mercado da política. Parece que todos os liberais têm um preço.
    Ficámos todos a saber qual é o do AMN: vale muito pouco.

  2. ACM,
    Milton Friedman gostava particularmente de uma frase de Upton Sinclair:
    “It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it!”.
    O monstro não irá desaparecer, nem sequer diminuir.

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