O melhor de sempre

capalivro3

Demorou, mas aconteceu. Quase cinco meses depois, este blog conseguiu superar o record de visitas que até agora tinha acontecido no seu primeiro dia de actividade. Tudo graças a este post e às partilhas no Facebook que estão já próximas de 900. O mesmo post no Portugal Contemporâneo conta com mais de 4 mil shares no Facebook e 14 mil visitas individuais em pouco mais de um dia. É interessante também que este efeito ocorra devido a um post que não mostra nada de original, nada que milhares de empresários não saibam há muito tempo, apenas colocando num gráfico o sistema fiscal português tal como ele é.

Finalmente, seria pouco inteligente da minha parte não aproveitar este, inevitavelmente curto, pico de visitas para fazer um pouco de publicidade ao meu livro “A Crise resolvida”, disponível na Amazon ou gratuitamente em PDF neste link.

9 comentários a “O melhor de sempre

  1. Li mesmo o pdf, mas é simplesmente genial!
    Confesso que a área da saúde sem financiamento público ainda é uma coisa que me assusta um pouco, embora concorde que muito se deve cortar nesta área. Mas admito que sou tendencioso pela minha formação académica (enfermagem).

  2. De facto esta muitissimo bom, os meus parabens. Nao e facil escrever sobre economia de forma tao simples. So deixo uma sugestao. Ha uma esquerda mais sofisticada do que aquela aqui retratada de forma tao comica, que e precisamente a esquerda de Krugman. Digo isto apesar de achar o estilo de Krugman no New York Times insuportavel, mas os argumentos sobre estimulo fiscal quando as taxas de juro nominais estao a zero sao logicamente consistentes (ver por exemplo este artigo: http://www.newyorkfed.org/research/economists/eggertsson/EggertssonKrugmanR2.pdf). Nao significa que sejam empiricamente validos, mas vale a pena confronta-los e o livro nao o faz (dizer que se os defices funcionassem Portugal e Grecia nao estariam onde estao nao demonstra nada: o que diz Krugman e que os defices ajudam precisamente na situacao em que estamos agora, nao naquela em que estavamos antes). Como liberal saudo a visao que o livro apresenta, e faco votos que convenca muita gente, mas ha uma questao premente no curto prazo. Com o desemprego a 17%, e o regresso progressivo aos mercados, temos de fazer opcoes dificeis sobre a velocidade da consolidacao orcamental. Um exemplo inteligente desta discussao por parte do FMI esta aqui: http://www.voxeu.org/article/fiscal-consolidation-what-speed. O proprio Gaspar acho que e a isto que se refere quando defende cripticamente na Europa a “primazia das politicas nacionais”.

  3. Caro, ao longo do texto faz 2 vezes uso da palavra corrupção. Porque não um capitulo sobre a mesma? Interesses vários há muito instalados, dos funcionários do urbanismo na CM às grandes máfias coorporativas, a promiscuidade entre politica e grandes negócios, especulação de coisa pública promovida por agentes do Estado em beneficio privado, estudos encomendados com resultados fantasiosos para tentar justificar obras tão megalómanas quanto inúteis, contratos com claúsulas ruinosas inacreditáveis, contratos públicos nunca tornados públicos por essa mesma razão… nada disto aconteceu por acaso, incluindo os esquemas de tornarem o imoral em legal, quando noutros paises daria cadeia. Sabe que estamos a falar de muitos milhares de milhões. Este governo teve uma grande oportunidade aqui, e falhou, ou desejou falhar. Há um pacto para desvalorizar o assunto da fraude & corrupção? Como a assunto da carne de cavalo…

    • Não querendo estar a defender o autor, mas pelo que percebo, ele é economista, não é propriamente investigador desse tipo de fenómenos. É óbvio que há elevados índices de corrupção em Portugal, mas penso que é um erro fazer como muito e atribuir todos os nossos problemas à corrupção, quando o mais provável é a mesma ser uma gota no oceano dos nossos problemas, mesmo falando apenas dos orçamentais.

    • Viva! Foi só uma sugestão. Podia ter referido a Justiça, a burocracia, a inconstância legislativa… que para alguns é um custo de contexto maior que os culpados do costume. Há contas feitas sobre o que isso, mais a regulamentação excessiva, custa às economias? Pode-se espartilhar tudo e depois pedir inovação e crescimento?! Também podia tem mencionado a economia paralela, que é enorme e é assunto de economia, mas insisto no assunto da corrupção/fraude/evasão pois (pelas contas de pessoas mais informadas e capazes que eu) parece não estarmos a falar duma “gota de água”. Quando são aplicados cortes de algumas centenas de milhões, de justiça duvidosa e com grande impacto no Zé, penso ser imoral que se fale do efeito da corrupção (que potencialmente ultrapassa em várias ordens de grandeza alguns daqueles valores) como algo populista. Tanto mais num pais com graves assimetrias na distribuição da riqueza… essa impunidade produz desanimo e revolta no Zé, que também sente ter direito à sua pequena evasão fiscal, tanto mais que já se sente tratado como potencial criminoso pela DGCI. Aproveito a “gota de água” pare referir que não é raro termos um PM de braço dado a um ministro das finanças a discursar sobre as virtudes do consenso, da união, da confiança, do trabalho… sendo que, do meu ponto de vista, o patético é serem aquelas pessoas sem carisma, sem história, incapazes de conquistar o coração de quem os ouve, a debitarem aquelas palavras, estudadas, sem qualquer paixão. Porque não vai outra gente para a politica?! Para se ser chefe bastar ter o chicote, mas não é lider quem quer; é preciso ir à frente, dar o exemplo. Sempre que alguém propõe medidas moralizadoras é tudo varrido com o argumento da demagogia, que vale pouco, que com isso não se resolvem os problemas, etc. O que o Zé sente é que há cidadãos de primeira e de segunda, e os que mandam asseguram-se que têm a familia bem colocada no primeiro grupo. Depois admiram-se de não haver dialogo entre as “forças sociais”, maus sindicatos e patrões, etc. Faz tudo parte dum sistema, como sabemos, em que a economia não se reduz a um excel. Bem haja!

    • Eu trabalho há apenas 4 anos, mas neste curto período já pude concluir que muitos dos nossos problemas são fruto daquilo daquilo que fazemos, o invariável reflexo daquilo que somos. Dito assim soa estranho, mas quero com isto transmitir que o problema não está nas leis, ou falta delas, mas sim no conjunto de atitudes que as pessoas vão tomando e que a sociedade vai aceitando. Tomemos por exemplo a minha área profissional: por razões de necessidade, sempre trabalhei na cobrança coerciva de dívidas, o maior problema da justiça, na óptica das empresas. É certo que nos falta capital para sermos mais produtivos (sistemas informáticos que não sejam tão lentos, por exemplo), mas penso que o grande problema está na mentalidade de todos os intervenientes. Por um lado, os exequentes manterem os processos pendentes, quando não existe qualquer hipótese de recuperar a quantia em dívida (independentemente da devolução do IVA) e por outro lado, os executados, quantas vezes sociedades criadas apenas para aumentar o património do único sócio, recebendo de clientes e não pagando a fornecedores, ou no caso de pessoas singulares que, tendo o salário penhorado, abdicam de fazer horas extraordinárias porque o que ganhariam era todo comido pela penhora, ou quando utilizam os meios de defesa como expediente meramente dilatório, muitas vezes impulsionados pelos Advogados, no sentido de justificar os seus honorários. Trabalhei num Agente de Execução e agora trabalho num Tribunal e, sem surpresa, num lado a culpa é sempre do outro, que nada sabe e que é a grande causa de todos os problemas associados.

      O problema da corrupção também se enquadra neste tipo de mentalidade: quantas vezes ouvimos falar dizer que fariam o mesmo que os corruptos fazem, se acaso tivessem a mesma oportunidade? A mentalidade de não querer combater a corrupção, mas desenvolver esforços para também comer do pote. Fala-se muito na relação entre construtoras e autarquias, por causa do financiamento autárquico ter por base a transmissão onerosa de imóveis, ou por causa dos licenciamentos, mas não acredito que mudando os procedimentos haja menos corrupção, ela apenas muda de interlocutores. Quero com isto transmitir que o combate a este tipo de fenómenos se faz através da mentalização das pessoas para os problemas, e não mudando as leis. Um crime de corrupção é muito difícil de provar, por este ter por base interesses legítimos, por isso querem criminalizar o enriquecimento ilícito (se já é ilícito, porquê criminalizar?).

      Quanto a fuga aos impostos (diferente de corrupção) gostaria apenas de acrescentar que a acho até certo ponto legítima, pois andamos há anos a ser invadidos com a ideia de que se todos pagarmos impostos, todos pagarão menos, mas a praxis demonstra que, embora a economia paralela tenha descido, a carga fiscal tem aumentado, porque igualmente têm aumentado os encargos que o estado tem assumido.

    • Verdade. Também não acredito no argumento mitico usado pelos governos de que, se todos pagarmos (i.e. se reduzirmos a fuga) se poderá reduzir a carga fiscal. Não encontro exemplos disso. O Estado, pelo contrário, arranja sempre forma de encontrar destino permanente para as receitas obtidas por um supostamente extraordinário aumento fiscal. Esta constatação deveria ser travão suficiente para qualquer novo aumento de impostos. Não sou historiador, mas acredito que temos actualmente em vigor taxas/impostos filhos de outros criados há dezenas, senão mesmo centenas de anos, com um argumentário de fazer face a uma qualquer crise temporária, financiar uma guerra, etc, e que se eternizaram. É sempre mais facil introduzi-los que acabar com eles, seja qual for o nome que lhes dão. Mesmo hoje, que se falam das famosas “rendas”, grupos de pressão se candidatam a novas, p.ex. o lobby dos “direitos de autor” que quer viver de generosas taxas sobre o consumo de memórias e discos rigidos.

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