Como baixar impostos potencia o crescimento

O João Miranda pergunta aqui porque é que baixar impostos gera crescimento. Há duas vias pelas quais os impostos prejudicam o crescimento económico, e nenhuma delas, como quer fazer parecer o João Miranda, depende do potencial efeito na procura.

A primeira via é pela alocação de recursos. Uma economia cresce mais, quanto melhor é a alocação de recursos. A alocação de recursos será tanto melhor quanto mais se adaptar ás preferências individuais. O pagamento de impostos ao estado para que terceiros decidam como gastar esse dinheiro em projectos colectivos pouco relacionados com as preferências individuais, é, por definição, uma forma ineficiente de utilização de recursos.

A segunda via é através dos incentivos criados. Aqui o problema não passa pela alocação de recursos, mas pelo facto de os recursos não chegarem sequer a ser utilizados. Impostos reduzem os incentivos ao trabalho e ao empreendorismo, cortando a criação de valor pela raiz. Empresários que não investem, pessoas que não poupam e trabalhadores que preferem ficar inactivos não chegam sequer a criar riqueza. Baixar impostos traria à superfície uma parte desta riqueza potencial.

O João Miranda depois apresenta o argumento de que baixar impostos apenas aumentará o défice, ou seja, apenas aumentará impostos futuros. Isso talvez fosse verdade em 2007. Em 2013 nem os mercados, nem os parceiros europeus estão hoje mais na disposição de subsidiar défices. Da mesma forma que os aumentos de impostos de anos anteriores tiraram pressão sobre a necessidade de cortar despesa, descidas de impostos hoje colocariam maior pressão. Sem a fonte ilimitada de financiamente que teve desde os finais da década de 90 e com uma dívida acima de 120% do PIB, este é um dos poucos momentos nos últimos 20 anos em que uma descida de impostas teria que necessariamente levar a uma diminuição de despesa pública.

5 comentários a “Como baixar impostos potencia o crescimento

  1. É evidente que «Impostos reduzem os incentivos ao trabalho e ao empreendorismo», sendo certo que (como afirma JM) haverá tb um aumento das importações. Restará seleccionar os impostos a reduzir ou eliminar: IRC, imposto de selo, IMI sobre armazéns industriais, IVA sobre a restauração (tem unicamente mão-de-obra residente) e uma fortíssima política de redução de IRS das famílias com filhos porque sem crianças não há futuro.

  2. Pingback: Baixar impostos potencia o crescimento económico | O Insurgente

  3. Acho que a “primeira via” só se aplica em impostos gastos em “consumos colectivos”; no caso dos impostos gastos para financiar transferências (pensões, RSI, subsidios de desemprego, etc, etc.) pode ter grandes problemas de distorção de incentivos, mas não tem o problema da despesa não se adaptar às preferencias individuais, já que continuam a ser individuos a decidir como gastar esse dinheiro naquilo que mais valorizam (são é individuos diferentes dos que seriam se não houvesse impostos).

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