A ideologia do oportunismo

pandeireta
Não é negativo, e até é desejável, que elementos da coligação revelem publicamente as suas discordâncias em relação a decisões governativas. Uma coligação não é uma fusão, e o eleitorado precisa de saber de que lado estão os elementos da coligação. Não é preocupante, portanto, que Paulo Portas tenha anunciado a sua discordância com uma medida do governo de que faz parte. O verdadeiro problema reside no motivo que escolheu para se estrear na oposição interna. Depois de repetidos aumentos de impostos aos quais o CDS (o auto-proclamado partido dos contribuintes) nunca se opôs publicamente, Paulo Portas escolheu um corte de despesa para fazê-lo. E fê-lo da forma mais covarde: sem apresentar alternativas, dando a entender que a medida pode ser eliminada sem qualquer contrapartida.

Paulo Portas provou mais uma vez que lidera um partido sem outra ideologia que não a sobrevivência eleitoral de curto prazo. O CDS, mais uma vez, tenta ocupar o espaço já coberto por toda a esquerda. Ao agradar a um segmento eleitoral representativo, os reformados, o CDS talvez garanta a sua sobrevivência eleitoral por mais uns tempos. Ao posicionar-se à esquerda do PSD, Portas terá também facilitado a entrada numa futura coligação com o PS. Em suma, Portas continua a sua música de sempre mas o país que, mais do que nunca, precisa de um partido de direita fiscalmente responsável ficará mais uma vez orfão de diversidade política. Depois dos últimos dois anos, apenas puro clubismo partidário poderá levar alguém de direita a votar CDS em vez do PSD.

10 comentários a “A ideologia do oportunismo

  1. Pingback: Paulo Portas e a política da pandeireta | O Insurgente

  2. É Carlos!
    Mas o eleitorado PP não é parvo, dão-lhe um táxi na AR.
    O resto dos “eleitos”… são “cortes” necessários, danos colaterais

  3. —>>> O isolamento do ministro das finanças Vítor Gaspar pelos LOBBYS QUE SE CONSIDERAM OS DONOS DA DEMOCRACIA é um ‘case study’.
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    P.S.
    -> Todos pudemos assistir a uma incrível e monumental campanha [nota: a superclasse (alta finança – capital global) controla a comunicação social] no sentido de ridicularizar todos aqueles que eram/são contra o ‘viver acima das possibilidades’ (um Estado a consomir mais do que aquilo que é produzido)… ou seja, ridicularizar todos aqueles que eram/são anti-endividamento excessivo; um exemplo: no passado, Manuela Ferreira Leite foi ridicularizada por ser uma ministra anti-deficit-excessivo; e mais, chegam a retratar o contribuinte alemão (que recusa ser saqueado) como novos fascistas/nazis…
    -> O discurso de qualquer ‘cão/gato’ anti-austeridade tem logo direito a amplo destaque… [nota: a superclasse controla a comunicação social].
    —>>> Um afrouxamento no controlo rigoroso das contas públicas (fim da austeridade)… proporciona oportunidades para a superclasse… isto é, ou seja, com tal afrouxamento, a superclasse (e suas marionetas) passam a poder ‘CAVAR BURACOS’ sem fim à vista: BPN’s, PPP’s, SWAP’s, etc…
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    P.S.2.
    -> Depois de ‘cozinhar’ o caos… a superclasse aparece com um discurso, de certa forma, já esperado!… Exemplo: veja-se a conversa do mega-financeiro George Soros: «é preciso um Ministério das Finanças europeu, com poder para decretar impostos e para emitir dívida»
    -> Como o contribuinte alemão está firme… o mega-financeiro George Soros defende agora um Euro sem a Alemanha… para… PROLONGAR O FESTIM proporcionado por países a endividar-se excessivamente (países a viverem acima das suas possibilidades).
    Nota: a firmeza do contribuinte alemão (não cedendo à pressão exercida internacionalmente…) é fundamental para salvar a Europa!!!
    .
    P.S.3.
    -> Aumentar as penas de prisão… não é solução: : a superclasse (alta finança – capital global) está dotada da capacidade de conduzir Estados à bancarrota… e… nenhum Estado falido possui a capacidade de implementar um sistema prisional eficiente!
    -> O contribuinte tem de actuar a montante: quem paga (vulgo contribuinte) deve ter acesso a mecanismos de fiscalização cada vez mais eficazes das contas públicas… ou seja… votar em políticos, sim, mas não lhes passar um ‘cheque em branco’… leia-se: para além do «Direito ao Veto de quem paga» (ver blog «fim-da-cidadania-infantil»)…. é urgente uma nova alínea na Constituição: o Estado só poderá pedir dinheiro emprestado nos mercados… mediante uma autorização expressa do contribuinte – obtida através da realização de um REFERENDO.

    • Não, é um corte nas reformas, portanto corte de despesa. Neste caso é através de uma taxa, mas na realidade é simplesmente menos dinheiro que sai da SS para pagar reformas.

  4. Pois
    Portanto de estabelecer uma sobre taxa no IRS dos funcionários publicos não é um aumento de receitas mas sim uma diminuição de despesa porque sai menos dinheiro dos cofres do estado para pagar ordenados.
    É isso.
    Vamos todos defender cortes na despesa através de uma sobretaxa ao IRS do vencimento dos funcionários publicos.
    PPB

    • É isso mesmo.
      Relembro-lhe o que aconteceu no ano em que os funcionários públicos passaram a pagar IRS. O estado aumentou o salário na exacta proporção do IRS que estes iriam pagar. Contabilisticamente aumentou a receita e a despesa. Na prática ficou tudo igual.
      Mutatis muntandis, os efeitos de um imposto sobre salários de funcionários públicos ou reformados é o mesmo que um corte de pensões ou salário de funcionário público, ou seja, um corte de despesa.

  5. Isso
    E o facto da nova taxa incidir sobre os reformados da segurança social com carreiras contributivas completas é irrelevante.
    Introduzam uma taxa sobre as pensões da segurança social para financiar os subsídios de desemprego que estamos todos a falar de diminuição da despesa.
    PPB

  6. Curiosamnete, na comunicação social, nunca se vê este assunto na prespectiva daqueles portugueses entre 30 e 50 anos, que são chamados a suportar pensões iguais a 100% do último vencimento de outros cidadãos quando, eles próprios, apenas terão direito (se correr bem…) a 30%-40% do seu vencimento quando se reformarem? Por muito que em televisões, fóruns e jornais se diga o contrário, será inevitável mexer nisto…

    Os factos: se há 20 anos existiam 4 trabalhadores activos por cada reformado (e a esperança média de vida, i.e., o n.º de anos médio que as pessoas usufruíam da pensão era de 10 – 12 anos), alguém com o mínimo de conhecimentos de matemática pode acreditar que o mesmo sistema suportará pagar o mesmo nível de pensões quando, dentro de pucos anos, teremos 3 pensionistas por cada 4 trabalhadores activos e, apesar da subida da idade de reforma, em média as pessoas receberão as suas pensões por 20 – 25 anos?!

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/da-constitucionalidade.html

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