Uma irrevogável promoção semântica

passosAparentemente, Paulo Portas venceu. Saiu deste episódio como vice primeiro-ministro, número dois do governo com coordenação da área económica, e responsável pela importante reforma do estado. A perda de confiança entre os credores que entretanto causou, sem outro resultado que não a sua promoção pessoal, quase que passa para segundo plano. Mas será mesmo assim? Vamos por pontos. Primeiro, vice-Primeiro-Ministro é um cargo com simbologia política, mas pouco mais. A definição vaga de ser responsável pela coordenação da área económica e diálogo com a troika valerá de pouco se Álvaro Santos Pereira e Maria Luis Albuquerque se mantiverem nos seus cargos. Mesmo que Álvaro Santos Pereira abandone o Ministério da Economia, Paulo Portas, ou Pires de Lima, continuará a ser Ministro da Economia de um governo sem dinheiro. Segundo ponto: deixá-lo responsável pela reforma do estado é uma armadilha política. Este governo foi, até hoje, incapaz de operar qualquer reforma decente no estado. Com o líder do partido minoritário ao leme dessa reforma, ainda menos provável será que tenha sucesso. A diferença é que, agora, esse fahanço terá a cara de Portas. Mesmo que houvesse uma real intenção de reformar o estado por parte de Paulo Portas, essa reforma enfrentaria, inevitavelmente, vários interesses instalados, o que não é o forte de Portas. Portas, mesmo que tenha intenção de reformar o Estado, acabará por recuar com receio de perder votos. Ou seja, a única grande responsabilidade de Portas está, infelizmente, destinada a ser um fracasso. Finalmente, com esta promoção, Portas perdeu o afastamento das decisões mais populares que o seu anterior cargo lhe permitia.

Em teoria Paulo Portas ganhou poder e salvou a face. Na realidade é uma promoção semântica. Portas passou a ser ministro sem pasta, responsável pela área que irá um dia ser vista como o grande falhanço deste governo e, na condição de Vice Primeiro-Ministro, não poderá mais alegar não ter responsabilidade nas suas decisões menos populares. Pelo caminho ainda minou a confiança dos credores e custou ao país umas centenas de milhões de euros em juros a troco de uns efêmeros e aparentes ganhos políticos.

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