Perigo iminente

migueltiago
Ao contrário do resto do Mundo ocidental, Portugal é um bom local para ser comunista. Talvez porque, à excepção do período 74-75, Portugal tem estado sempre distante do perigo comunista. Chegavam-nos histórias da União Soviética, mas que eram demasiado longínquas para criar as defesas em relação ao comunismo que foram criadas noutras zonas da Europa. Os comunistas, ao contrário dos seu congéneres totalitários de extrema direita, fazem parte do sistema. A ausência prolongada de cargos governativos permitiu-lhes ainda excluir-se de qualquer decisão difícil: os comunistas são sempre o polícia bom do parlamento que exige salários e pensões mais altas, mais redistribuição, mais emprego público, mais dinheiro para a cultura e cada um dos lóbis eleitorais, mas com a possibilidade de se esconder na altura de assumir os custos dessas exigências.
Eles podem sobreviver como partido longe do governo porque tal não os afasta dos tachos necessários à sobrevivência no sistema partidário. Os comunistas beneficiam do tipo de tachos que qualquer partido aspiraria a ter: tachos permanentes não sujeitos ao escrutínio democrático. São os tachos nos sindicatos, em empresas Municipais e associações de “cidadãos” (tudo pago com dinheiro público). Eles não têm votos, mas com uma presença desproporcional nos meios de comunicação social influenciam as decisões políticas ao manipular a opinião pública e, acima de tudo, ao manipular a percepção do que é a opinião pública. Eles não têm votos, mas, tal como no PREC, dominam as manifestações de rua, fazendo crer a muitos (até aos partidos rivais) que a opinião pública quer aquilo que eles acham que deveria querer. Os partidos corruptos do centro farão sempre aquilo que acharem que lhes garante mais votos e são os comunistas, através do domínio da rua, que manipulam essa percepção. À falta de poder democrático, os comunistas dominam o maior lóbi do país, a função pública, e têm, através desse domínio, impedido qualquer reforma, contribuindo como ninguém para o empobrecimento do país. Os partidos corruptos do centro podem dominar o espaço governativo, mas são eles, os comunistas, que mais influenciam as políticas.
Mas que não se iludam aqueles que pensam que os comunistas tendo tanto a ganhar com o sistema actual, não deitariam tudo a perder em nome da ideologia. Eles são acima de tudo uma seita que acredita nos benefícios da sua ideologia totalitária, apesar de todas as evidências em contrário. Não se deixem iludir pela fachada democrática que assumem durante tempos mais serenos. Eles andam aí, prontos a aproveitar uma crise no sistema para atacar, prontos para utilizar a insatisfação em relação ao sistema que minaram por dentro durante anos para nos imporem a solução final de Cuba ou da Coreia do Norte. Não se iludam aqueles que pensam que bastava esperar que os velhos líderes morressem: há aí uma nova geração de Miguel Tiagos, criada entre as seringas da Festa do Avante, pronta a assaltar o país. É importante não baixar as defesas: o perigo do totalitarismo e escravidão comunistas não desapareceu.

23 comentários a “Perigo iminente

  1. A “corja” dizem é sempre da direita. A democracia e constituição é sempre comunista, ou seja é deles. O mal, dizem, vem da direita. O bem é sempre deles, desde o PREC, desde a revolução dos cravos, desde, não dizem, da revolução bochevique de 1917, desde os anos 20 da morte de Lenine e exclusão de Trotsky, desde os anos 30 da consolidação do terror estalinista, desde os anos 40 da morte de Trotsky, da Guerra mundial e exterminação das potenciais democracias a leste, desde os anos 50 com a morte de Estaline e abafo da Hungria e subida da Cuba barbuda ao poder, desde os anos 60 e abafo da ex-Checoslovaquia e moda “huitard”. “Corja” dizem eles.
    Segundo Camilo Castelo Branco, escritor português do seculo XIX com uma actualidade que até arrepia, “corja” são aqueles que vivem, sobrevivem, não trabalham, usufruem, educam-se, cuidam da saúde, sindicalizam-se à custa do erário público, dos impostos retirados, na altura, do meio rural, que como sabem ocupava 80% da população portuguesa, que era pobre, mesmo para quem detinha propriedade privada e até pergaminhos aristrocráticos, mas longe do Porto, Braga ou Lisboa (ver a “Queda de um Anjo”).

    Um pouco “off record” a “corja” actualmente está obviamente nos partidos de esquerda minoritários, sem acesso ao poder governativo, sem responsabilidade política, nos 30 a 40 anos de sindicalismo da função pública e portanto dependente do erário público. Estão igualmente nas bancadas da Assembleia da República, em formato unicelular, como por exemplo a gritante Heloisa Apolónio, que berra mais que a representatividade ilegítima e vitalícia do cargo que ocupa no parlamento em mandatos consecutivos.
    A “corja” está igualmente, nas salas dos professores, nas enfermarias dos hospitais, nas casernas dos sargentos, nos tribunais, nos transportes públicos, nas finanças, na segurança social, nas policias, nos estivadores etc. etc.
    Enfim a “corja” instala-se nos salários da Função Pública acima da média nacional. A “corja” instala-se nos empregos garantidos. A “corja” alimenta-se do suor, sangue e lágrimas dos portugueses que trabalham na esfera privada.
    Tal como no século XIX de Camilo, a “corja” instala-se nas grandes cidades do Litoral, e por conseguinte nos Portos, nos Aeroportos, nos Hospitais, nas Escolas, nos Quarteis, nos Metros, na CP, na TAP, na Carris, ou seja em tudo que é estratégico, ou deveria ser. Em tudo que gasta mais do que deveria gastar. Em tudo que dá mais emprego do que deveria dar. Em tudo que não trabalha o suficiente e deveria trabalhar mais.
    A “corja” meus amigos, não somos nós, mas vive ao nosso lado, todos os dias e come do nosso prato.

  2. Concordo em absoluto com o último parágrafo: eles são os mais ideológicos, dentro do sistema, o que não os impediria de o destruir, se e quando pudessem. Quanto ao resto: a função pública é um espelho do país, e a influência do PC não difere da que consegue exercer no conjunto da sociedade; e na chamada “comunicação social”, onde já vai essa influência!: boa parte desses revolucionários, assim que viu que apostara no cavalo errado a seguir ao 25 de Abril, mudou-se para paragens de futuro mais promissor. Ficaram os mais sérios, os mais puros e os mais estúpidos.

  3. O PCP tem recorentemente proposto a diminuição das subvenções do Estado aos Partidos. É a direita que não quer.

    “O PCP quer cortar mais de metade das subvenções estatais para os partidos e campanhas e, se possível, aplicar a medida nas presidenciais de 2011.
    “Num momento em que o Governo e o PSD cortam nas prestações sociais, nos salários e nas reformas, em que aumentam a carga fiscal sobre os portugueses, é bom que tenham a dignidade de cortar também nas subvenções”, justificou o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, em conferência de imprensa.
    No seu projecto, a bancada comunista propõe que uma redução para os níveis da lei de 1998, que foi alterada em 2003, e aumentou, em muito, as subvenções, quer anuais, quer para campanhas.
    A subvenção anual aumentou dois terços para os partidos e são esses dois terços que o PCP quer agora baixar. A ser aprovado este diploma, a subvenção para as eleições legislativas e presidenciais era cortada a metade, a das eleições regionais era reduzida a um quarto e a das autarquias também era cortada em mais de um terço.
    “Só o PS e o PSD conseguiram, com a nova lei [de 2003], aumentar em mais de 4,5 milhões de euros/ano as suas subvenções”, disse Bernardino Soares.
    No seu projecto, os comunistas alteram os limites de 20.961 euros (50 Indexantes de Apoios Sociais, IAS) para as pequenas receitas em numerário – por causa da Festa do Avante!. Bernardino Soares ironiza ser impossível “obrigar dezenas de milhar de pessoas” a pagar em cheque ou transferência bancária cafés ou bebidas.
    http://www.publico.pt/politica/noticia/pcp-corta-a-metade-das-subvencoes-para-campanhas-1442318

    Então quem está do lado dos tachistas é você, são sempre vocês que estão do lado de quem tem enriquecido às custas da política:
    http://expresso.sapo.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo=f680329

    • Caro João, eu, se fosse a si, ignorava por completo o que pessoas que acham q a Coreia do Norte não é uma ditadura dizem… Além disso, sejamos sinceros, não é com poupanças de 4,5KK€ /ano q Portugal lá vai, certo?!?

  4. O que é que a Coreia do Norte tem a ver com o caso de serem os Partidos da corrupção a não querem baixar as subvenções estatais enquanto são os comunistas, ao invés, que pedem a sua diminuição? O que é que tem a Coreia do Norte a ver com o facto de sucessivos ministros do PS e do PSD acabarem, depois de governar, a trabalhar para empresas privadas que laboram na esfera dos ministérios que ocupavam? O que é que a Coreia do Norte tem a ver com os contratos ruinosos que a miss Swaps, agora ministra das finanças, fez com o BIC para a compra do BPN que resulta em ter o BIC já enviado uma cobrança de 100 milhões ao Estado – lembro que o Estado vendeu por 40 milhões.
    O que dizer de um governo e uma governação cujos os seus adeptos, como é o seu caso, se obrigam a recorrer à Coreia do Norte como padrão de comparação? É isto que você tem a dizer pelo seu governo: “ao menos não somos a Coreia do Norte”. Porreiro, meu caro. O céu é o limite.

    • Seja.
      Mas eu não quero viver num país onde gentinha como o Bernardino Soares (A Coreia do Norte é uma Democracia), a Odete Santos (Cuba é uma Democracia) ou a Rita Rato (Não tenho dados que me permitam dizer se os gulags existiram) tenham qualquer poder por mais ínfimo que seja.
      Escumalha como o Miguel Tiago diz coisas maravilhosas para os patetas o seguirem, mas acaba sempre tudo numa fila com senhas de racionamento na mão.

      Não que swaps, BPN e todas essas porcarias é fácil, Estado pequenino, que não tenha empresas de transportes, nem se arme em paizinho de todos os portugueses, nem em bombeiro do sistema bancário.

    • Não ando a defender genocídio de quem pensa diferente.
      Só isso já me faz um bocadinho menos mau que o anormal que disse aquilo.

  5. Eles tem razão numa coisa, não é preciso uma ditadura neste país para roubar. Ninguém quer falar de Espanha. Ele venho à Universidade de Verão do PSD, não sei se aprender ou ensinar.Eles andavam aí, só faltava regar. Aqueles aplausos, na igreja querem dizer muiiiiiiiita coisa.

  6. Por existir um perguiçoso a usufruir do rendimento de inserção social, não quer dizer que sejam todos perguiçosos… tal como por existir um proprietário/empresário desonesto, não quer dizer que todos os proprietários/empresários sejam desonestos… Muitos trabalharam e continuam a trabalhar muito na busca de uma vida melhor e ao mesmo tempo que ajudam o país a desenvolver-se… Os direitos humanos (acima de qualquer constituição) incluem o direito à integridade física e moral de qualquer ser humano… muito me entristece que um representante do meu país insite à violência contra outros seres humanos, e pior que haja meus compatriotas a defendê-lo… Seja de direita, centro ou de esquerda quem apela contra a integridade física e moral de qualquer ser humano devia ser preso ….

  7. Tem toda a razão Carlos. Os comunistas enquistaram-se nas empresas públicas e no Estado através dos sindicatos. E não vai ser nada fácil escorraçá-los. Só se esqueceu de um pormenor: o gigantesco império imobiliário comuna e as rendas que o mesmo gera. De tempos a tempos são publicadas na II.ª série do Diário da República – com atraso de vários anos, diga-se – as contas dos partidos políticos. Em Janeiro de 2005, se a memória não me falha, foram publicadas as contas de 2002 ou 2003. Nessa altura, a lista dos imóvies que constituiam património imobiliário do PC ocupava cinco páginas frente e verso e ainda passavam imóveis para outra página, quase até ao meio. O PC, como vê, está em condições de resistir financeiramente ao seu completo declínio eleitoral.

    • Podem diminuir os deputados da direita o que quiserem. Os deputados do PCP são precisos para trabalhar pelo país e os que têm são poucos.

  8. Realmente eu desprezo esta constituição comunista e quanto “a serem em maior número”, :caberá sempre mais um ordinário comunista na ponta de uma baioneta!

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