O futuro do cheque-ensino em Portugal

Dezembro 2013 – Governo aprova cheque-ensino para ano lectivo 2014/2015.

Setembro 2014 – Jornal Público faz inquérito em zonas pobres da cidade de Lisboa sobre os benefícios do cheque-ensino. 97% das pessoas respondem “Cheque quê?!?”.

Dezembro 2014 – Governo lança grande campanha informativa sobre cheque-ensino

Agosto de 2015 – Colégio Luso-Francês anuncia que não aceita mais inscrições para o ano lectivo 2014/2015. Os 3 líderes do Bloco de Esquerda denunciam critérios de escolha das matrículas: “se é com dinheiros públicos, matrículas devem ser por concurso público”.

Setembro de 2015 – Milhares de alunos excluidos das matrículas nos melhores colégios privados ainda sem Escola para ano lectivo

Novembro de 2015 – Governo anuncia que colégios privados beneficiários do cheque-ensino não devem poder fazer selecção de alunos

Março de 2016 – Abrem as inscrições no colégio Valsassina. Confrontos à porta do colégio fazem 5 feridos.

Junho de 2016 – Acampamento cigano em frente ao Colégio Moderno duas semanas antes das inscrições.

Julho de 2016 – Colégio Moderno abre filial em Badajoz.

Agosto de 2016 – Ribadouro aumenta preços para níveis anteriores ao cheque-ensino. Os quatro co-líderes dos Bloco de Esquerda protestam.

Setembro de 2016 – Propinas dos colégios privados beneficiários do cheque-ensino passam a ser reguladas.

Outubro de 2016 – Notícias de escolas públicas abandonadas e alunos sem lugar na zona de residência fazem com que governo anuncie que a partir de 2016 as matrículas em todas as escolas serão realizadas a partir de um sistema centralizado.

Janeiro de 2017 – Regulação dos preços fazem com que colégios deixem de investir em infraestrutura. Ministério da Educação sem dinheiro para subsidiar investimentos resolve lançar Parcerias Público Privadas na Educação PPPEs.

Fevereiro de 2017 – Paulo Campos, novo ministro da Educação, garante aos colégios que investirem em infraestruturas um aumento no valor do cheque-ensino em 30% todos os anos. Estão lançadas as PPPEs. Candeeiros Siza Vieira fazem parte do caderno de encargos.

Julho de 2017 – Sistema de matrículas centralizado com atrasos.

Setembro de 2017 – Sistema de Matrículas centralizado é inaugurado.

Dezembro de 2017 – Começa o ano lectivo a tempo das férias de Natal

Fevereiro de 2018 – José Gomes Ferreira denuncia as PPPEs e lança livro “Ouçam-me: eu é que percebo disto”

Abril de 2018 – Pentágono de líderes do Bloco de Esquerda defende o fim das PPPEs e a nacionalização de todos os colégios privados.

Junho de 2018 – Perante incumprimento das obrigações das PPPEs, colégios privados vão à falência. Caixa Geral de Depósitos compra colégios em liquidação que são formalmente integrados no sistema de ensino público.

5 comentários a “O futuro do cheque-ensino em Portugal

  1. Pingback: Seria giro se não fosse trágico | BLASFÉMIAS

  2. Finamente que vejo uma boa medida por parte do MEC. No entanto, a ser implementada, penso que as comparticipações deveriam, num primeiro momento, corresponder a uma parcela, por exemplo, de 2/3 das propinas, porque o mercado não está preparado para uma comparticipação de, por exemplo, 4000€ anuais. Tudo isto seria adaptado, à medida que a o sistema de ensino fosse transformado, com o aparecimento de mais estabelecimentos particulares e cooperativos. Acredita que uma mensalidade de 100€ já seria acessível a uma muita gente no nosso país, seria uma transformação enorme, e à medida que o sistema se fosse adaptando, ir aumentando as comparticipações, no sentido de envolver os escalões mais pobres da sociedade.

    No entanto não acredito que a medida vá para a frente, sobretudo pela pressão daqueles que juram não ter nada a ver com o que se passou no país nos últimos 30 anos.

  3. Pingback: Cheque-ensino? Sim, talvez… Não, pensando melhor, nem pensar |

  4. Pingback: O cheque-ensino entre os orgulhosos e os preconceituosos | O Insurgente

  5. Penso que o Novembro de 2015 e o Setembro de 2016 já aconteceram na Suécia (onde a propina é forçosamente igual ao cheque-ensino, significando que para as famílias é tal e qual como ter um filho na escola pública). Mesmo no Chile acho que já funciona o Novembro de 2015 (e já funcionava no tempo de Pinochet).

    Diga-se que, no caso português, nem me admirava que o Novembro de 2015 venha logo na primeira versão do cheque ensino.

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