Entender a austeridade

Foi já apresentado pelo governo a proposta do orçamento de estado para 2014 que, como se esperava, inclui mais um pacote de austeridade. No gráfico abaixo podemos ver o somatório resumido das medidas de consolidação orçamental presentes no relatório da proposta de orçamento:

Medidas de austeridade (milhões de euros)

austeridade

Outro exercício interessante é tentar medir o efeito directo dos compromissos assumidos nos governos de Sócrates cujos efeitos se fazem sentir no orçamento de 2014. Obviamente é impossível quantificar todos, até porque muitos desses efeitos serão indirectos. Um exercício mais prolongado obrigaria a medir o efeito na taxa de juro paga pelo acumular de dívida nesse período, o efeito exacto dos derivados financeiros utilizados nas empresas públicas (os famosos SWAPS) ou o salário pago a funcionários públicos que não deveriam ter sido contratados naquele período. Por simplificação, isolo aqui apenas os 3 efeitos mais facilmente quantificáveis a partir do relatório do Orçamento de Estado 2014: os encargos com PPPs rodoviárias, os juros pagos pela dívida contraída no período de governo de Sócrates (um cálculo conservador aponta para 36% do stock total de dívida actual) e o impacto na massa salarial do aumento de 2,9% nos salários da função pública antes das eleições de 2009. A soma destes três efeitos está abaixo.

Efeito dos governos Sócrates no orçamento de 2014 (milhões de euros)

socrates

Agora, por curiosidade, coloquemos os dois gráficos anteriores lado a lado:

Comparação: medidas de austeridade vs efeito Sócrates (Milhões de euros)

comp

Interessante.

13 comentários a “Entender a austeridade

  1. Pingback: Compreender a austeridade | O Insurgente

  2. O q está a dizer, no fundo, é q os cortes na despesa que incidem essencialmente em salarios de FPs e prestacoes sociais acontecem porque o governo nao quer cortar nas ppps. Portanto, um governo cria ppps q beneficarao (ou prejudicarao) todos os portugueses, mas quem tem de pagar isso sao exclusivamente os fps e os pensionistas.
    .
    O mesmo é dizer q, se o governo nacionalizasse as ppps e reembolsasse o seu custo aos parceiros da desgraca em 50 anos com cupoes indexados à rentabilidade de cada projecto, nao só a despesa anual com ppps diminuia como os juros inerentes baixavam.
    .
    Solucao do governo. Deixar andar o negocio pernicioso e cortar salários e pensoes.
    .
    Rb

    • Tem toda a lógica este comentário, mas relembro, que o Governo não pode fazer o que bem lhe apetece com as PPP…
      Nos últimos tempos, precisamos do Privado, fixe… tragam dinheiro… não precisamos, xau desapareçam…
      Isto há acordos, ninguém do Privado investe sem salvaguardar o seu negócio…
      O Estado não manda no PRIVADO, não manda… se alguém fez al mal no passado, agora tens que encontrar a melhor forma possível de CORRIGIR… essa CORRECÇÃO tem custos e não pode ser de 1 dia para o outro…

    • Não me parece nada que seja isso que se está aqui a dizer. Aconselho a voltar para a escola para aprender a interpretar um texto!

  3. Esta análise está muito bem…
    Demonstra que o GOVERNO não pode viver do CRÉDITO por causa dos JUROS… um 2º Resgate deixa-nos pior…
    Deixa-me triste a postura dos países da oposição, nomeadamente do PS que tem responsabilidade na crise, e tem responsabilidade acrescida por poder ser a solução a curto prazo… não pode ter esta postura de… não temos nada haver com isto…
    Portugal não sabe governar-se, no pós troika… gasta o dinheiro no que não deve… e depois afunda-se… dar crédito ao PS em 2015… pode ser voltar ao mesmo… mais um DESASTRE…

  4. Carlos,
    Seria interessante estimar a diferença entre o que se vai pagar em juros da dívida e o que se pagaria se, como José Sócrates tentou, a troika não viesse.

  5. JAL teria interesse é os juros da dívida para cada PEC. Ai se veria os custos de o PSD não ter logo derrubado Sócrates e de ter sido cúmplice no aumento da dívida no grau a que Sócrates estava a fazer.

    • Lucklucky,
      Acha então que o PSD devia ter chumbado logo o primeiro PEC? Com que argumentos?
      Recordo que o PEC1 foi apresentado em Março de 2010, 6 meses após as legislativas que o PS ganhou. Para o bem e para o mal, os resultados das eleições são para respeitar e o PSD não pode ser irresponsável, hipócrita e anti-democrático como são, p.e., o PCP e o BE.
      Mesmo sem ter apoio parlamentar maioritário, fez todo o sentido dar ao governo PS uma oportunidade para resolver a situação. A rápida sequência de PECs (4 em um ano), cada um a dar pior resultado do que o anterior, acabou por justificar o chumbo do PEC4. Afinal (e tanto quanto me recordo), o geral das medidas dos vários PEC’s até apontavam no sentido certo. Só que cada novo PEC representava o atestado de incompetência (e falta de vontade) do governo para os cumprir e aprovar o PEC4 já não fazia sentido.
      Recomendo a leitura de http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=16200. É de Miguel Frasquilho mas, mesmo assim, vale a pena ler.

  6. mas vocês estudam o quê? que comparação é esta? e os anos do cavaco? e do bloco central? ou querem acreditar que o culpado é o sócrates? nem sou defensor de tal personalidade, mas este tipo de pensamentos é perigoso…de que serve analisar a despesa sem a receita? de que serve analisar seja o que for sem analisar os objectivos de uma comunidade? pensem!!! pela vossa cabeça….

  7. Não percebi em que medida é que esta análise me ajuda a compreender a austeridade. A explicação da austeridade é simples: comprometemo-nos (para o bem e para o mal) a cumprir um limite de défice e o atual Governo identificou um conjunto de poupanças conjunturais (a maioria não estruturais) para lá chegar.
    Esta análise limita-se a pegar em 3 factores avulsos imputados ao anterior governo para encontrar um valor equivalente. As PPPs rodoviárias são todas de contratos do tempo do Sócrates? E foram todas um absoluto desperdício? A dívida contraída é divida adicional, ou inclui substituições de divida existente (não esquecer que Portugal já tinha um défice estrutural, ainda que mais pequeno, e por isso dificilmente conseguiria reduzir de forma visível o volume total de divida com que partiu).
    Já agora, que medidas dos Governos Sócrates é que “explicam” a austeridade de 2012 e a de 2013? E quais é que vão explicar as de 2015?

  8. Dá jeito encontrar um bode espiatório para a incompetência governamental… vá, agora vão lá fazer um gráfico com o custo da constitucionalidade; mais uma desculpa dá sempre jeito!

  9. Caro C. G. Pinto,
    O raciocínio faz todo o sentido, só quem não entende a Lei Causa – Efeito, é que poderá discordar (o problema é que Portugal parece ser uma espécie de triângulo das Bermudas da caudalidade…) . Para além das PPP, não esquecer o custo que os portugueses já suportaram na factura de energia e o avolumar do défice tarifário.

    Coitado… o Ingenheiro “não sabia o que aquilo era!”…
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/10/portugal-e-relacao-de-causa-e-efeito.html

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